Condições de trabalho e de vida dos caminhoneiros

Em meio à crise que vive o Brasil na última semana, o Ergonomia da Atividade manifesta o seu apoio à greve dos caminhoneiros, publicando aqui 3 artigos científicos e um documentário sobre as condições de trabalho e de vida destes trabalhadores.

O 1o deles é intitulado “Sono, qualidade de vida e acidentes em caminhoneiros brasileiros e portugueses“, dos autores José Carlos Souza, Teresa Paiva e Rubens Reimão. No estudo, foram avaliados distúrbios do sono, trabalho em turnos, sonolência excessiva diurna e qualidade de vida em 206 caminhoneiros brasileiros e 200 portugueses. Os resultados mostram que é alta a prevalência de distúrbios do sono nos dois países (sendo 35,40% dos brasileiros e 21,50% dos portugueses), com alterações em todos os critérios avaliados para os 2 países.

O artigo seguinte é o “Trabalho e saúde em motoristas de caminhão no interior de São Paulo“, de Regina Penteado, Claudia Gonçalves, Daniele Costa e Jair Marques. Os autores entrevistaram 400 caminhoneiros do interior de São Paulo com o objetivo de analisar aspectos relacionados à saúde destes profissionais e os resultados mostram que 59,5% dos trabalhadores são autônomos e 58,5% viajam em rota curta, trabalhando em média 12,7 horas diárias, com 5 a 8 horas de sono. Além disso, os caminhoneiros referiram problemas constantes ou ocasionais de postura (67,75%), auditivos (37,75%), estomacais (57,5%), resfriados/gripes (70%), sentimentos negativos como medo, estresse e depressão (58,5%), tonturas (23%), rouquidão (30,75%), pigarro (36,5%), tosse (53,5%). Quanto aos hábitos de consumo e comportamentos, eles ingerem café (87,75%), alimentos gordurosos (84,5%), bebidas alcoólicas (43%), energéticos (19,5%); fumam (32%) e usam outras drogas (2%).

No 3o artigo, intitulado “Condições de trabalho dos caminhoneiros: sugestão de políticas públicas“, Nellis Santos, Luiz Kawamoto Jr. e Hewely Cardoso fazem uma revisão  sistemática da literatura, tendo como objetivo descrever indicadores que apontam  para a perda da qualidade de vida dos caminhoneiros em virtude de seus hábitos, suas condições físicas e modelos de vínculos trabalhistas. A metodologia utilizada foi revisão de literatura descritiva de artigos, teses e dissertações em bases cientificas – SCIELO, CAPES e GOOGLE SCHOLAR – apontando dados que norteiam as discussões. Os resultados demonstram a necessidade de criar políticas públicas que garantam qualidade de vida a esses trabalhadores.

Por fim, postamos aqui o documentário “Vida de Caminhoneiro“, produzido pelos alunos do curso de Jornalismo da Unisinos em 2009. O documentário possui apenas 11 minutos mas tem uma forte mensagem ao expectador.

#somostodoscaminhoneiros

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