20/03: Dia Mundial sem Carne!

Dia 20/03 é o Dia Mundial sem Carne. Neste dia, principalmente, não podemos deixar de lado a reflexão sobre as consequências do consumo frenético de carne pelos humanos, não somente pela causa animal e ambiental (que em si próprias já nos dão razões suficientes para reduzir o consumo de carne), como também na saúde dos trabalhadores de frigoríficos.

Neste sentido, o post de hoje traz 2 excelentes documentários que abordam estes temas.

  1. Documentário “Carne e Osso” (Assista aqui!)

Produzido pela ONG Repórter Brasil, em 2011, este documentário mostra como a indústria que mutila aves, o faz, também aos seus trabalhadores. Afinal, o operador que tem seis segundos para desossar uma peça de frango, trabalhando diante de uma esteira que carrega mais de 3 mil peças/ hora, não adoece somente pela sobrecarga muscular consequente dos 18 movimentos executados a cada 15 segundos. A sua chance de desenvolver transtornos mentais é 3 vezes maior do que de qualquer outro cidadão. Nem mesmo ir ao banheiro é uma tarefa simples no contexto apresentado: é necessário pedir autorização ao encarregado e, urinar mais de duas vezes ao dia, pode resultar em advertência ao necessitado. Num dos relatos emocionantes do filme, um dos trabalhadores conta: “Precisava dormir com a mão amarrada na cama de tanta dor que sentia”.

Donas de uma fatia superior a US$ 10 bilhões na balança de exportações brasileira, os frigoríficos são responsáveis pela maior parte das ações trabalhistas, com cerca de 750 mil trabalhadores em toda a cadeia produtiva. São também reconhecidos pela Receita Federal como um dos ramos que mais sonegam impostos. Esses dados aparecem no documentário de diferentes maneiras. Uma delas, é a postura do médico da empresa ilustrada no filme, ao tratar as vítimas do trabalho: os funcionários o conhecem o médico pelo nome de “Doutor Diclofenaco”, uma referência ao remédio receitado invariavelmente a quem se queixa de dor.

Documentário “A Carne é Fraca” (Assista aqui!)

Este documentário, produzido em 2005 pelo Instituto Nina Rosa, traz uma reflexão sobre as consequências do consumo da carne aos indivíduos, aos animais e ao meio ambiente. Em sete anos, a produção anual de carne no mundo dobrou, passando de 250 milhões de toneladas. Ao mesmo tempo, o consumo de água é imenso para se produzir um boi para o abate. De acordo com o Fórum Mundial da Água, produzir apenas 1 kg de carne de boi exige cerca 15.000 litros de água, enquanto 1 kg de cereal, cerca de 1.300 litros de água. Para se produzir carne é necessário desmatar a mata atlântica, a catinga e o serrado para desenvolver a atividade pecuária, contaminando os lençóis freáticos e aqüíferos subterrâneos com medicamentos e hormônios utilizados na pecuária.

Mas junto aos dados trazidos de institutos oficiais e às entrevistas com personalidades sobre o tema, o documentário levanta questões éticas e morais no consumo desenfreado de carne pelos humanos. Porque comer tanta carne? Não podemos reduzir a quantidade diária, semanal ou mensal? Porque participar de um processo que mutila indivíduos, destrói o meio ambiente e açoita os animais, desmantelando-os como se fossem peças encaixadas de produto?

 

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