As vozes de Tchernóbil e o perigo da história única

No dia 26/04/1986, à 1:23 da manhã, uma série de explosões destruiu o reator e o prédio do quarto bloco da Central Elétrica Atômica de Tchernóbil. Essa catástrofe, considerada o mais grave desastre tecnológico do século XX, tem consequências até os dias de hoje: pessoas continuam nascendo com sequelas e um em cada cinco bielorrussos vivem em território contaminado.

Svetlana Aleksiévitch, vencedora do prêmio Nobel de literatura de 2015, entrevista centenas de pessoas, entre sobreviventes, familiares e trabalhadores da usina à época e publica este livro arrebatador, com a transcrição direta dessas entrevistas.

Vladímir Matviéevitch Ivanóv, ex-primeiro secretário do comitê distrital do partido de Slávgorod e considerado um dos culpados pelas consequências do acidente, declara: “Vivíamos numa sociedade feliz (…). Agora a história nos expulsa, como se não fôssemos nada (…). A minha neta tem leucemia. Já paguei por tudo e foi um preço alto. Eu sou um homem do meu tempo. Não sou um criminoso”.

Ivanóv é um dos vários exemplos que ilustram o perigo de considerarmos uma única história, aquela contada pelos órgãos oficiais. Como nos diz Chimamanda Adichie, escritora nigeriana, “a consequência de uma única história é essa: ela rouba das pessoas a sua dignidade”.

Leia o capítulo completo aqui

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s