Técnicas de confrontação são utilizadas na Ergonomia já há algum tempo como forma de se compreender o trabalho de maneira mais aprofundada. Trazemos, hoje, 2 artigos de Vanina Mollo e Pierre Falzon que utilizam essas técnicas.
O artigo “Auto-and Allo-Confrontation as Tools for Reflective Activities”, publicado na revista Applied Ergonomics, propõe ferramentas para a atividade reflexiva através da auto e allo-confrontação, que foram aplicadas em um grupo de agricultores. No artigo, estes trabalhadores deveriam criar por si mesmo, procedimentos de produção de açafrão, pois as referências disponíveis não eram adaptadas na área de produção e muitos dos sujeitos analisados possuíam conhecimento prático individual, mas tal conhecimento muitas vezes não era disseminado aos demais colegas de trabalho.
O artigo mostra que a auto-confrontação individual é baseada no enfrentamento do sujeito à sua própria atividade, a allo-confrontação individual, onde o sujeito é confrontado e tem que verbalizar sobre a atividade que ele pratica, mas sendo realizada por um colega, e a allo-confrontação coletiva ou allo-confrontação cruzada como é mais conhecida, onde um grupo de indivíduos analisa sobre o registro que foi realizado da atividade de um dos membros desse grupo.
A aplicação dos métodos, proporciona aos indivíduos tomarem o próprio trabalho como objeto de reflexão, podendo externalizar um conhecimento que muitas vezes era realizado de maneira inconsciente, além de permitir que os sujeitos modifiquem seus métodos de trabalho e desenvolvam novos através da análise do seu próprio trabalho e de terceiros.
O artigo “Para uma ergonomia construtiva: as condições para um trabalho capacitante”, publicado na revista LABOREAL, fornece informações de análise e discussão sobre o desenvolvimento de saberes partilhados aliado ao ponto de vista da ergonomia, trazendo um novo conceito de ergonomia construtiva. Essa, traz em sua essência a situação dinâmica de desenvolvimento, de integrar as estratégias das organizações, a fim de permitir um desenvolvimento contínuo e sustentável dos saberes.
Em relação a isso, os autores empenham-se em apresentar claramente os conceitos que estão intrínsecos neste estudo. Dentre eles, a capacidade e a “capabilidade” que são palavras semelhantes na ortografia, mas que apresentam uma diferença crucial que leva em consideração as condições que o indivíduo está ou mesmo o ambiente para se fazer qualquer coisa.
Através da leitura, pode-se perceber que foram feitas citações de diferentes autores e a mesmas foram complementares ao desenrolar histórico, levando-nos a enxergar novas maneiras de melhorar uma organização. Para isso, foram dados exemplos que possibilitaram uma melhor compreensão do assunto.
A análise da atividade realizada com os médicos das reuniões pluridisciplinares de concertação (RPC) em oncologia, utilizou uma metodologia de explicitação de saberes que trouxe resultados enriquecedores para área ergonômica, fazendo-nos compreender como a troca de saberes individuais e coletivos podem ser determinantes em uma dada situação problemática. Dessa forma, o artigo mostra-nos possibilidades de pesquisas nesse campo, a fim de efetivar essa ideia em outros setores e atividades, levando em conta os benefícios gerados nessas atividades reflexivas interpessoais.
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