Análise Coletiva do Trabalho – O que é?

Você conhece a Análise Coletiva do Trabalho? Trata-se de um método desenvolvido pela pesquisadora Leda Leal – da Fundacentro – nos idos dos anos 90, que busca desenvolver uma análise do trabalho que seja realizada essencialmente pelos próprios trabalhadores. De lá para cá, o método já foi aplicado em diversos campos, como na produção de petróleo, na coleta de abacaxi e cana-de-açúcar, na pesca, na atividade de professores, na mineração, entre outros.

Reunimos três ótimos textos da Leda Leal que desenvolvem o tema e que vale a pena ser lidos!

O 1o deles se intitula “Dois estudos sobre o trabalho dos petroleiros“, e foi publicado na revista Production (1996). O  artigo traz um resumo de dois estudos realizados na área do petróleo, o primeiro feito em uma unidade de refino e o segundo com operadores que exercem várias funções dentro de uma refinaria e de terminais marítimos de petróleo. O que é interessante é que os métodos utilizados foram diferentes: no primeiro caso utilizou-se a Análise Ergonômica do Trabalho (AET) e no segundo, a Análise Coletiva do Trabalho (ACT). Além de apresentar os principais resultados destes estudos, a autora faz considerações sobre as diferenças entre os dois métodos. Embora tanto a AET quanto a ACT analisem a “atividade dos trabalhadores em situação de trabalho”, uma das diferenças entre os métodos é que na AET, a análise é feita pelos ergonomistas, ajudados pelos pesquisadores, enquanto na ACT a análise é feita pelos pesquisadores, ajudados pelos ergonomistas.

O 2o artigo é o “O trabalho mortal dos pescadores de lagosta“, publicado na revista Travailler (2004). Nele, é mostrado um estudo feito com pescadores- mergulhadores de lagosta brasileiros, onde é apresentado o trabalho destes pescadores, na tentativa de explicar porque tantos deles têm adoecido e morrido no exercício de sua profissão. Ao fim do artigo, a autora faz uma interessante análise sobre o método, trazendo que “os próprios trabalhadores são os que mais se surpreendem, habituados a ver, nos pesquisadores, pessoas ‘superiores’, que ‘sabem’, que vão ‘ensinar’ ou ‘resolver’ problemas. E que, num primeiro momento, ficam intrigados com o fato de não termos nem questionários nem darmos aulas, e querermos apenas aprender com eles sobre o seu trabalho e, portanto, ouvi-los”.

O 3o e mais recente artigo é o “Análise Coletiva do Trabalho: Quer ver? Escuta“, publicado na revista Ciências do Trabalho (2015). Neste, a autora discorre sobre as essências do método, seus pontos positivos e limites. Ela afirma, por exemplo, que a pergunta “o que você faz no seu trabalho” deve ser respondida o mais exaustivamente possível, até que todos os participantes (trabalhadores e pesquisadores) compreendam o trabalho que está sendo analisado. Não basta, portanto, dar a impressão que se compreendeu, mas deve-se compreender de verdade. Assim, a autora afirma que “quando uma ACT ‘dá certo’, os pesquisadores são praticamente esquecidos e o que acontece é uma troca de experiências de trabalho entre os participantes”.

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