Livro “Gestão como Doença Social” – Download gratuito!

Postamos hoje uma excelente obra sobre os processos de gestão paradoxal presentes nas empresas atuais. Trata-se do livro “La société malade de la gestion”, traduzido para o português como “Gestão como Doença Social”, de Vincent de Gaulejac, com a 3a edição publicada em 2007. Clique aqui para o download gratuito do livro!

Junto ao livro, trazemos uma breve resenha nossa e um vídeo da Fundação Getúlio Vargas, no qual o autor discorre sobre o assunto.

O livro “Gestão como Doença Social”, em sua 1a parte, mostra porque os paradigmas das ciências de gestão são fatores que levam à instrumentalização e alienação dos indivíduos, colocando-os em situações paradoxais e fazendo com que o trabalho perca o sentido para eles. O autor levanta e critica os principais fundamentos defendidos nas organizações, como a imparcialidade dos números, a ilusão da qualidade total e a dialética inovação x normalização, desempenho x redução de custos e autonomia x controle. Neste último caso, as empresas pedem, por exemplo, que os trabalhadores sejam autônomos mas ao mesmo tempo cobram e controlam exageradamente os comportamentos individuais dos empregados. Paralelo a isso, o autor defende que os pesquisadores no campo das organizações e ciências de gestão estão em dificuldade em transmitir o saber e os modelos teóricos produzidos por essa ciência, uma vez que essas teorias são feitas para aplicar modelos prescritivos, normativos e ideológicos a pretexto do desenvolvimento do desempenho e eficácia, que muitas vezes se encontram distantes da realidade operacional do trabalho dos indivíduos. Em seguida, o autor discorre sobre como este ambiente paradoxal produz doenças, como a depressão, o esgotamento profissional, o assédio e o vício no trabalho. Dentre os principais fatores desencadeadores estão a falta de sentido do trabalho, as contradições e paradoxos, que levam à individualização, à alienação e à inibição da criatividade. Por fim, o autor aponta para a direção de uma visão mais ampla do ser humano e para a necessidade de desenvolvimento do diálogo e da participação para o desenvolvimento de uma autonomia real, que leve à conquista de sentido no trabalho.

Alguns trechos do livro que merecem destaque:

“A gestão gerencialista é uma mistura não só de regras racionais, de prescrições precisas, de instrumentos de medida sofisticados, de técnicas de avaliação objetivas, mas também de regras irracionais, de prescrições irrealistas, de painéis de bordo inaplicáveis e de julgamentos arbitrários. Por trás da racionalidade fria e “objetiva” dos números dissimula-se um projeto “quantofrênico” (a obsessão do número) que faz os homens perderem o senso da medida”

“Sob uma aparência objetiva, operatória e pragmática a gestão gerencialista é uma ideologia que traduz as atividades humanas em indicadores de desempenhos, e esses desempenhos em custos ou em benefícios. Indo buscar do lado das ciências exatas uma cientificidade que elas não puderam conquistar por si mesmas, as ciências da gestão […] legitimam um pensamento objetivista, utilitarista, racionalista e positivista. Constroem uma representação do humano como um recurso a serviço da empresa, contribuindo, assim, para sua instrumentalização”.

Veja aqui uma entrevista de Vincent de Gaulejac para a Fundação Getúlio Vargas, na ocasião do Seminário sobre Estudos Organizacionais em 2013.

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