Na última sexta-feira, 25 de janeiro, o mundo foi surpreendido pelo rompimento da barragem da mineradora VALE na Mina do Feijão, em Brumadinho/MG. A barragem, com 12 milhões de m3 de rejeitos da mineração, inundou a cidade com lama, deixando, até o momento, 60 mortos e mais de 292 desaparecidos, além do enorme estrago ambiental, ainda difícil de ser mensurado.
Esse desastre ocorre pouco mais de 3 anos de outra catástrofe: o rompimento da barragem do Fundão, em Mariana/MG, da mineradora Samarco, controlada também pela VALE. O rompimento desta barragem, com cerca de 50 milhões de m3, e que causou danos irreparáveis, nos mostra que não houve nenhum aprendizado por parte da empresa e do poder público em relação à segurança na mineração.
Vários foram os artigos e materiais publicados após a catástrofe de Mariana, e destacamos aqui um Editorial da Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO) assinado por Lima e coll., publicado ainda em 2015, 1 mês após o rompimento da barragem de Fundão (em Mariana).
O texto, intitulado “Barragens, barreiras de prevenção e limites da segurança: para aprender com a catástrofe de Mariana”, mostra que não se trata de “aproveitar a oportunidade de uma catástrofe para defender utopias libertárias, mas sim de reconhecer que sistemas autoritários de gestão são incapazes de manter sob controle a integridade de sistemas sociotécnicos complexos” e que “a gestão da segurança em sistemas tecnológicos ou de produção complexos não pode desprezar a experiência cotidiana, seja dos usuários leigos ou dos trabalhadores”. Os autores ainda enfatizam que uma “tragédia desse porte, com consequências ambientais e humanas irreparáveis, não pode acontecer sem marcar profundamente a forma como a sociedade brasileira deve, doravante, lidar com a segurança dos sistemas produtivos”.
Não há mais espaço na sociedade para que as empresas continuem a utilizar práticas como essas. É o momento da sociedade civil organizar diversas frentes para frear o movimento lunático do lucro acima de tudo e todos.
